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Janela para o Horizonte

Janela para o Horizonte

Sentimentos em ruinas

por Micael Silva, em 10.06.14

Escrevo porque as palavras não têm lugar na realidade e por isso mesmo que escrevo o que penso e que me dá na vontade, por si só descarrego a minha raiva e ódio, tudo o que sinto na vida.

 

Não sou negativo e sim realista, pois o pouco que sinto e pouco que tenho descamba perante os meus pés, pelas minhas escolhas, por decisões precipitadas.

 

Mas errar é humano e nisso eu tenho de sofrer com as consequências, com os atos dos outros, tenho de entrar no mundo deles e lutar pelo meu lugar, que há muitos anos caiu no esquecimento quando dali parti, parti para bem longe, longe de tudo e de todos, quis-me perder nos pensamentos e perceber o que estava sentindo, só que quando acordei deparei-me em outro mundo, um espaço que já não era o meu, a minha presença há muito tempo tinha desaparecido daquele lugar, como se eu nunca lá existisse.

 

 

Ao ver que ninguém compreendia o que eu sentia e muitas vezes evitavam ouvir as minhas palavras, criei este hábito de escrever, uma mania de paz interior que enquanto escrevo sinto por breves momentos o silêncio das vozes, das palavras, dos tormentos, do conflito daqueles dias que descansam no passado.

 

Muitas vezes fico a pensar, o que escreveria naquele dia (dia em descobri a paz interior na escrita) se tivesse sido diferente, se tivesse sido forte como eles, seres do mesmo sangue, no entanto cada um disputa o seu trono, se eu tivesse agido de outra forma, seria o mesmo que sou hoje ou outro diferente? Por vezes penso que se tivesse sido outro, o meu rumo tinha ganhado outro desenlace, só que não teria conhecido ela, a mulher que tocou o meu coração, mas ao mesmo tempo enfraqueceu-me ainda mais, quando me deparei ali sozinho junto ao mar olhando o céu limpo cheio de estrelas, numa noite sem vento somente fiquei radiado com tanta luz, que me perdi da realidade.

 

Por vezes penso que eu fui um erro cometi e hoje sinto que pouco me resta, vejo os olhares e absorvo as palavras, deixo-me cair num longo e profundo sono para testemunhar tudo de novo, todos aqueles tormentos que o meu coração não esquece, que a minha alma teme que acontece de novo, escrevo para fugir ao que sinto e para não explodir em loucura e numa revolta sem sentido, deixo os sentimentos mais profundos e negros tomarem conta de mim, temo perder o controlo do que sinto e dizer o que já é tarde demais.

 

“ Não posso escolher como sinto-me, mas posso escolher o que fazer a respeito.”

(Shakeaspeare)

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